AS DORES DE CABEÇA DO CAPITÃO - RICARDO NOBLAT

12/08/2019

As dores de cabeça do capitão

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Por Ricardo Noblat   BLOG EM VEJA.COM 


Tem Nicolas Maduro que não dá o menor sinal de que arredará pé tão cedo da presidência da Venezuela. Resistiu às fortes pressões americanas e brasileiras que não deram em nada até aqui. Seu principal oponente, Juan Guaidó, apagou-se.

Tem Mario Abdo Benítez, o presidente do Paraguai chamado por Bolsonaro de Marito, que ontem depôs ao Ministério Público durante sete horas sob a acusação de que traiu os interesses do seu país ao renegociar com o Brasil a compra de energia de Itaipu.

Tem Ângela Merkel, a primeira-ministra alemã, que autorizou o congelamento de R$ 155 milhões que seu país mandaria para o Fundo da Amazônia para financiar projetos de proteção da floresta. Bolsonaro respondeu que não precisa do dinheiro.

Tem o primeiro ministro israelense Binyamin Netanyahu, aliado de primeira hora de Bolsonaro, cujo futuro político depende de novas eleições parlamentares em 17 de setembro. Nos próximos meses, ele poderá ser indiciado em três casos de corrupção.

Mas, de longe, a maior dor de cabeça do capitão atende pelo nome de Alberto Fernández, que visitou Lula em Curitiba há poucos dias, e que ontem derrotou Maurício Macri nas eleições primárias para a escolha em 27 de outubro do novo presidente da Argentina.

Fernándes tem como candidata a vice em sua chapa a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner - sim, amiga e aliada de Lula, e detestada por Bolsonaro. Em recente viagem a Buenos Aires, Bolsonaro recomendou o voto em Macri. Não foi ouvido.

O capitão sempre poderá distrair-se pilotando uma moto pelas avenidas de Brasília ou um jet ski no lago Paranoá como fez ontem - e como no passado fez o então presidente Fernando Collor. Nem por isso as suas dores de cabeça passarão. Poderão até se agravar.