COISA DE PRETO - BERNARDO MELLO FRANCO

19/11/2017

19/11/2017
FONTE - FOLHA DE SP
BRASÍLIA - Na segunda-feira, será comemorado o Dia da Consciência Negra. A data foi criada para lembrar a luta contra a escravidão e a desigualdade que ainda separa brancos e negros no Brasil. Quem pensa que este debate é desnecessário deveria dedicar alguns minutos do feriado à Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, realizada pelo IBGE.

A nova versão do levantamento informa que pretos e pardos somam 63,7% dos desempregados. Isso equivale a um exército de 8,3 milhões entre os 13 milhões de brasileiros que procuram trabalho. Apesar da leve melhora da economia, a taxa de desemprego de pretos e pardos ainda alcança 14,6%. É um índice muito superior ao registrado entre trabalhadores brancos: 9,9%. A média nacional está em 12,4%.

As diferenças também persistem entre a população ocupada. De acordo com os números da PNAD Contínua, pretos e pardos ganham menos, ocupam vagas piores e têm menos estabilidade no emprego.

O rendimento médio desses brasileiros é de R$ 1.531, enquanto o dos brancos chega a R$ 2.757. Pretos e pardos somam 66% dos trabalhadores domésticos e 66,7% dos vendedores ambulantes, mas representam apenas 33% dos empregadores.

Em setembro, a Oxfam Brasil informou que o país ainda levaria sete décadas para equiparar o rendimento dos negros ao dos brancos. Segundo o estudo, os dois grupos só devem se igualar em 2089 -mais de dois séculos depois da Lei Áurea. Agora a projeção parece ter sido muito otimista. De acordo com a PNAD, a desigualdade voltou a crescer nos últimos 12 meses.

Na semana passada, o Brasil debateu o caso do apresentador de TV que foi afastado após se referir a um buzinaço como "coisa de preto". O episódio mostrou que discutir o racismo ainda é importante e necessário. A pesquisa do IBGE nos lembra que também precisamos cobrar políticas públicas para combater a discriminação e tornar o país menos desigual.´


MEU COMENTÁRIO:
Ainda entendo que existe muita coisa mal contada, ou parcialmente contada, nessa saida de William Waack da Globo, depois de tantos anos, por um comentário racista com o título do texto supra copiado.

William Waack sempre foi profissional com opínião própria, geralmente firme, nem sempre politicamente correta, ou totalmente afinada com os interesses geralmente mutáveis do mundo da vênus platinada.

Muito distante, por exemplo, do par de ventríloquos que apresentam o Jornal Nacional, que se limitam a ler os textos que estão no teleprompter, sem nunca emitir qualquer resquício de opinião própria, convergente ou divergente, com os donos.

Não se pode chamá-los de âncoras, como por exemplo, Ricardo Boechat na Band, que bota a boca no trombone, emitindo sua opinião.
Digamos que Waack estava independente demais, insurgente demais, para os atuais padrões da Globo, o que poderia eventualmente trazer problemas aos seus interesses na área de grandes patrocínios.
Finalmente, beira o ridículo o desmentido dos bonecos falantes do JN, quanto ao pagamento de propinas na questão dos direitos de transmissão das copas mundiais de futebol.
A coisa é tão velha e conhecida quanto andar prá frente. Só ingênuos, mas muito ingênuos, podem crer na versão...