DORIA SE DIZ EDUCADO EM EPISÓDIO COM PAGODINHO - JOSIAS DE SOUZA

12/02/2018

FONTE - BLOG DO JOSIAS


Doria cometeu  contra o Zeca Pagodinho uma indelicadeza: o prefeito privou o cantor da solidão sem lhe fazer companhia. Deu-se no camarote do Bar Brahma, no Sambódromo do Anhembi. A contragosto, Zeca foi fotografado ao lado de Doria. O cenho crispado denunciou sua má vontade. Criticado nas redes sociais, Doria cometeu uma segunda descortesia com Zeca. Autoelogiando-se, o prefeito insinuou no Twitter que falta educação ao cantor:

''Episódio Zeca Pagodinho", escreveu Doria, acrescentando depois dos dois pontos: "Sou educado e cumprimento todas as pessoas, onde eu estiver. Continuarei a ser educado, mesmo com incompreensão de alguns.''

Convidado ilustre de um camarote privado, Zeca foi à avenida para ver as escolas de samba. Doria queria ser visto. Como a afinidade entre ambos era de mentira, as fotografias revelaram a verdade de maneira insofismável. Para azar de Doria, sua educação não é comparável à de Zeca, cujos cursos maiores são os de rua, com seus currículos vitais de malandragem.

Não há esperteza política que se equipare à sabedoria do bom malandro. Doria obteve as fotos que tanto queria. Entretanto, considerando-se a má repercussão, as imagens tiveram o peso de uma Quarta-Feira de Cinzas antecipada.

Eleitor reprovaria saída de Doria, indica pesquisa

Josias de Souza

11/02/2018 

Pesquisa feita por encomenda da liderança do PSB na Câmara de Vereadores de São Paulo indica que 78% do eleitorado paulistano reprovaria a eventual renúncia de João Doria (PSDB) ao cargo de prefeito para concorrer ao governo do Estado. Apenas 22% disseram considerar a troca "importante". O PSB é o partido do vice-governador Márcio França, que assumirá a poltrona de Geraldo Alckmin em abril e já anunciou que disputará a reeleição.

Ouviram-se 1.891 pessoas na cidade de São Paulo, entre quinta (8) e sexta-feira (9). A liderança do PSB não informa o nome do instituto responsável pela pesquisa, feita para orientação partidária. Indagados sobre o que fariam se Doria renunciasse, 71% disseram que não votariam nele para governador. Outros 29% afirmaram que dariam seu voto a Doria.

Em outubro do ano passado, o Datafolha divulgou uma pesquisa análoga. Naquela época, Doria ainda flertava com a ideia de concorrer ao Planalto. Verificou-se que 58% dos paulistanos preferiam que ele ficasse na prefeitura. Apenas 10% aprovavam sua candidatura presidencial. E 15% apoiavam uma hipotética candidatura a governador.

Nesta sondagem do Datafolha, apenas 18% dos entrevistados manifestavam a intenção de votar em Doria para a Presidência. Um percentual maior, de 26%, dizia que votaria nele para governador. A maioria declarou que não votaria nele de jeito nenhum para o Planalto (55%) ou para o Palácio dos Bandeirantes (47%).

Marcio França tenta se firmar como candidato único do campo político de Geraldo Alckmin, que se equipa para concorrer à Presidência. Mas João Doria vem repetindo que não há hipótese de o PSDB abrir mão de disputar o governo de São Paulo. A pesquisa do PSB oferece matéria prima para França fustigar o rival.

Nada menos que 72% dos entrevistados concordaram com a tese segundo a qual, se Doria renunciar à prefeitura, terá mentido na campanha, "como fazem os demais políticos". Apenas 28% consideraram que ele já cumpriu as promessas que fez na eleição municipal.

Doria não é o primeiro tucano a enfrentar esse tipo de dilema. Em junho de 2005, quando José Serra era prefeito e cogitava disputar a Presidência da República, o Datafolha verificou que 67% dos paulistanos diziam que ele deveria permanecer na prefeitura. Acabou prevalecendo no PSDB a candidatura presidencial de Alckmin, derrotado por Lula no segundo turno. Serra disputou o governo estadual. A despeito do nariz torcido do eleitor para a renúncia ao cargo de prefeito, ele venceu a eleição.