EMPURRÃOZINHO SUIÇO - BRUNO BOGHOSSIAN

23/02/2018

Com ajuda suíça, Lava Jato precisa finalmente avançar em SP

Dinheiro de Paulo Preto pode apontar caminho de propina em governos tucanos


  • Foi necessário um movimento espontâneo do Ministério Público da Suíça para que as autoridades paulistas finalmente encontrassem a pista mais contundente revelada até agora sobre possíveis desvios de dinheiro público em obras do governo de São Paulo.

    Os R$ 113 milhões depositados nas contas de uma offshore ligada a Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, podem ser o elemento que faltava para rastrear o dinheiro movimentado pelo engenheiro -suspeito de operar pagamentos para agentes públicos e políticos do PSDB.

    A Lava Jato completa quatro anos no próximo mês com uma carteira robusta de investigações sobre a corrupção nos governos do Rio, do Distrito Federal e, agora, do Paraná. Em São Paulo, maior e mais rica unidade da Federação, as apurações nem sequer arranharam a superfície.

    Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, ex-diretor da Dersa - Mateus Bruxel - 31.out.2010/Folhapress

    O caso de Paulo Preto tem potencial explosivo porque ele integrou por cinco anos a direção da Dersa, empresa paulista de projetos rodoviários que coordenou a construção do Rodoanel -umadas principais marcas dos tucanos que comandam o governo do Estado há mais de 20 anos.

    Em diferentes inquéritos, executivos de três empreiteiras (Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez) denunciaram a formação de cartel e o pagamento de propina na obra, mas a promotoria de São Paulo foi incapaz de demonstrar qualquer avanço significativo nas investigações.

    O ex-diretor da Dersa foi acusado por sete delatores da Odebrecht de cobrar propina para financiar campanhas de José Serra e Aloysio Nunes, do PSDB, e de Gilberto Kassab, do PSD, entre 2004 e 2008. Os políticos negam irregularidades e o engenheiro contesta o processo no STF.

    Quando surgiram as primeiras suspeitas sobre Paulo Preto, na campanha de 2010, ele deu um recado em tom de ameaça: "Não se abandona um líder ferido na estrada". Com o empurrãozinho suíço, às vésperas de uma nova eleição, o fantasma reaparece para assombrar o tucanato.

    Bruno Boghossian

    Jornalista, assina a coluna Brasília. 


  • MEU COMENTÁRIO:

  • Até quando nos deixaremos enganar por salvadores da pátria?

  • Tivemos o alcoólatra e desequilibrado Jânio Quadros, cuja renúncia absurda desencadeou tudo o que veio depois, inclusive 1964. 

  • Após 21 anos, escolhemos o "caçador de marajás", Fernando Collor de Mello, sendo que o grande marajá era ele próprio. 

  • A terra girou a Lusitana rodou tempos depois surgiu o operário-salvador, Luis Ignácio, vulgo Lula, vendendo sua pureza de intenções. No meio do trajeto deixou-se picar pela mosca azul, pensando "por que só eu serei honesto? Às favas a honestidade, pensou antes de se meter nas falcatruas que hoje estão afloradas.

  • O PSDB e o tucanato surgiram como flor no lodo, mas as denúncias de hoje mostram que as coisas não eram como pareciam. embora devamos grande parte do que se apurou à ajuda suiça. 

  • Enfim, ninguém se salva. 

  • Outubro está chegando e aí, o que faremos, quem escolheremos,?dvida cruel que nos assola e perturbará nosso sono até lá, e sabe-se lá, depois, dependendo de nosso acerto ou de nosso erro.