FRAUDE BILIONÁRIA NO BOLSA FAMÍLIA - NOTICIA

04/01/2018

CGU identifica 346 mil cadastros do Bolsa Família com indícios de fraude

Ao todo, foram pagos R$ 1,3 bilhão a quem não tinha direito

RIO - Uma auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) no programa Bolsa Família identificou 345.906 cadastros com indícios de fraude. São casos de beneficiários que não teriam direito ao programa por estarem fora das regras estabelecidas, em especial por terem seus rendimentos mensais acima do patamar determinado pelo governo, de R$ 170. Segundo a CGU, os registros com indícios de fraudes envolvem servidores públicos e pessoas que possuem casa própria e automóveis importados. Até famílias com renda maior que R$ 1,9 mil por pessoa estavam entre os beneficiários do programa. Ao todo, foram pagos indevidamente R$ 1,3 bilhão a quem não tinha direito.

A CGU realizou um pente-fino nos registros de 2,5 milhões de famílias com cadastros suspeitos, devido a problemas de informações sobre o CPF dos beneficiários, o tamanho e a renda dos núcleos familiares. A informação sobre as fraudes foi repassada ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS). Ao "Bom Dia Brasil", da TV Globo, o secretário-executivo do ministério, Alberto Beltrame disse que o governo federal já promoveu, entre outubro de 2016 e dezembro de 2017, a revisão do benefício em 4,7 milhões de cadastros irregulares. Ele não informou se os 346 mil cadastros indentificados pela CGU estão incluídos entre os casos revistos pelo MDS.

O secretário federal de controle interno da CGU, Antônio Carlos Leonel, disse que aqueles que recebem dinheiro de forma irregular estão sendo procurados e podem ser responsabilizados.

- Não é aquele indivíduo que aumentou a renda, conseguiu emprego, melhorou que a gente vai atrás. O que nos preocupa é aquele caso da pessoa que já entrou errada, tem um padrão de vida excelente, que está fraudando o programa de fato - afirmou Leonel, ao "Bom Dia Brasil".

São Paulo é o estado com maior número de fraudes identificadas, com 58.725 casos. Na sequência, estão Bahia, com 39.759 irregularidades; Rio de Janeiro, com 29.599; e Pernambuco, com 26.839.

O Bolsa Família tem cerca de 13,5 milhões de famílias inscritas.

FRAUDES E CANCELAMENTOS

Não é a primeira vez que são identificados indÍcios de fraudes no programa. Nos últimos dois anos, órgãos do governo federal e o Ministério Público Federal detectaram, em ao menos três ocasiões, irregularidades nos cadastros.

Ao assumir definitivamente o governo, no segundo semestre de 2016, o presidente Michel Temer determinou que fosse realizado um pente-fino no Bolsa Família para identificar beneficiários que mentiam sobre a renda para continuar no programa. Ao cruzar as bases de dados, a fiscalização encontrou 2,2 milhões de famílias com irregularidades no cadastro. No entanto, cerca de 1,5 milhão, ou seja, 46%, tinham renda menor do que a declarada. Na ocasião, o governo cancelou automaticamente 470 mil cadastros e bloqueou outros 655 mil até que pendências fossem cumpridas.

Ainda durante a interinidade de Temer, o governo levantou indícios de fraudes cometidas por cadastradores do programa. Na ocasião, foram identificadas irregularidades que somava cerca de R$ 100 milhões. Os cadastradores são, geralmente, funcionários das prefeituras responsáveis por colocar os dados dos beneficiários no sistema.

Outra investigação, que foi realizada pelo Ministério Público Federal (MPF), detectou irregularidades no pagamento de R$ 2,5 bilhões entre 2013 e 2014. Os indícios recaíam sobre cerca de 1,4 milhão de pessoas, dos quais a maior parte eram servidores públicos.