JÔ SOARES: O BRASIL TEM UMA ÂNSIA IMENSA DE ACERTAR - JOSÉ BENEDITO DA SILVA

29/11/2017

29/11/2017
FONTE - VEJA.COM

"O Brasil tem uma ânsia imensa de acertar', diz Jô Soares

O escritor e ex-apresentador de talk show diz que o processo pelo qual o Brasil está passando pode torná-lo um pais melhor

Amarelas Ao Vivo
Jô Soares foi entrevistado por Lillian Witte Fibe, colunista de VEJA, durante o evento Amarelas Ao Vivo

O escritor, humorista e ex-apresentador de talk show Jô Soares criticou a corrupção política no país, as tentativas de censura às artes, o ódio nas redes sociais e a falta de pulso e de agilidade do Supremo Tribunal Federal (STF), mas externou uma visão otimista sobre o futuro do país."O país é maior que tudo isso. O Brasil tem uma ânsia imensa de acertar e isso, às vezes, atrapalha. Mas vai dar certo. A única coisa que não pode acontecer é entrar em desespero", disse.

Ele criticou duramente o delegado Fernando Segovia, novo diretor-geral da Polícia Federal, por dizer que uma mala de dinheiro não prova nada. "Como não prova nada? Prova sim, prova que ele [Segovia] é suspeito. Só faltou ele dizer: Eu mesmo já vi várias [malas], afirmou Jô, sob aplausos da plateia do evento Amarelas ao Vivo, no qual ele foi um dos entrevistados.

Citando o escritor americano Gore Vidal, que escreveu sobre como a corrupção era comum até entre os fundadores dos Estados Unidos, Jô afirmou que o processo pelo qual o Brasil está passando pode torná-lo um país melhor.

Dilma
Ele afirmou também que o impeachment de Dilma Rousseff (PT) foi correto. "Só não foi mais correto porque o Lewandowski rasgou a Constituição", fazendo referência ao fato de o ministro do STF Ricardo Lewandowski, que presidiu a sessão do impeachment, ter mantido os direitos políticos da petista.

Jô Soares lembrou que foi muito hostilizado por ter entrevistado Dilma em meio aos protestos pelo país que pediam a sua saída do cargo - sua casa chegou a ser pichada com a frase "Morra, Jô". "O que eu fiz? Não morri", disse, arrancando gargalhadas da plateia.

"Eu fiz todas as perguntas que tinham de ser feitas, mas não ia ficar debatendo as respostas dela. Agora, eu, como jornalista, não poderia deixar de entrevistar a presidente da República", disse.