MILITARES SALVAM A PÁTRIA E A PRÓPRIA PREVIDÊNCIA - HELENA CHAGAS

10/01/2019

Militares salvam a pátria - e a própria Previdência

Melhor que a ala civil do governo

Por Helena Chagas   BLOG EM VEJA.COM 

Jamais imaginei escrever isto, mas é preciso reconhecer: nesses quase dez dias de besteirol, abobrinhas e bate-cabeças do governo Bolsonaro, as declarações mais moderadas e sensatas vem partindo, quem diria, dos militares. Não que não digam lá suas bobagens, mas essas têm sido incomparavelmente menores do que as de boa parte da ala civil do Planalto e da Esplanada. Até agora, a turma fardada parece estar se saindo melhor no quesito preparo para governar e vem cumprindo inusitado papel de contraponto ao radicalismo e à inconsequência de outros setores.

É muito estranho o novo mundo político de Brasília. Nesses primeiros dias, a rotina foi a Damares falando sobre as roupas azul e rosa de meninos e meninas, o ministro da Educação enchendo as secretarias da pasta com ex-alunos de Juiz de Fora contrários à ideologização das criancinhas, o chanceler Ernesto virando o Itamaraty de ponta-cabeça, Onyx Lorenzoni desmontando a máquina administrativa para "despetizar" o governo e Bolsonaro tuitando e falando com criatividade sobre o que vai, o que não vai mais e o que poderia acontecer com o IOF, o IR, a reforma da Previdência, etc.

Quando fica tudo bem confuso, super-confuso, e não dá mais para botar a culpa na imprensa, entra em campo o pelotão militar. Não, não vai ter base militar americana no Brasil. Não, o governo não pensa em interromper as negociações entre Embraer e Boeing. A transferência da embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém ainda está em estudos...

Essas últimas afirmações foram do ministro chefe do GSI, general Augusto Heleno, cuja pasta não tem relação direta com os temas, mas que virou uma espécie de bombeiro do Planalto, que corre atrás do incêndio nosso de cada dia. Com ascendência sobre os demais palacianos, e influência sobre o presidente, recorre-se a ele quando o assunto exige um ponto final.

Integra ainda essa força de paz - que não usa farda, porque está na reserva - o ministro da Defesa, Fernando Azevedo. Depois da pancadaria verbal em cima da mídia e dos jornalistas na campanha e na transição, puxada pelo próprio presidente, coube ao general, no discurso de posse, um aceno reconhecendo a importância da imprensa.

Contraponto de moderação seguido pelo novo chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, que em entrevista nesta quarta-feira anunciou que não vai acabar com a EBC - que tem duas TVs e oito rádios no país - , e sim racionalizar os serviços, o que é bem mais lógico. Também mostrou bom senso político e republicano ao informar, na contramão da cartilha Lorenzoni, que não vai discriminar os parlamentares de oposição na hora de liberar suas emendas.

Diz o velho ditado que, em terra de cego, quem tem um olho é rei. Talvez seja o caso dos militares no Planalto de Bolsonaro. Mas não deixa de ser preocupante fortalecimento tão grande da turma fardada num governo civil. Vai que eles tomam gosto?

Um bom teste de sua força será a reforma da Previdência. Já se organizaram para ficar de fora.


MEU COMENTÁRIO:

Farinha pouca, meu pirão primeiro, reza o velho ditado. 

No caso tratado, quem pode, pode, e quem não pode, se sacode. 

Enquanto discutimos mundos e fundos da aposentadoria dos milhões que dependem do INSS, a casta que realmente manda, segue incólume. 

Os militares já salvaram o seu, como se viu. 

E o milhão de servidores públicos que consomem tanto quanto os 25 milhões de salários mínimos do INSS?

Continuamos coando moscas e engolindo camelos. E não é de hoje, essa história vem de longe, está protegida por dispositivos constitucionais, e outras garantias. 

Quem protege os subremunerados do INSS?