MORTE DE KENNEDY: A GRANDE "FAKE NEW" DE 1963 - FAUKECEFRES SAVI

15/01/2018

MORTE DE KENNEDY: A GRANDE "FAKE NEW" DE 1963.

Saí inebriado do cinema, após assistir o magnífico desempenho de Gary Oldman no papel de Winston Churchill no filme "O destino de uma nação", em cartaz num dos cinemas da cidade.

Meu faro de cinéfilo irrecuperável me levou a pesquisar outras participações do ator. Encontrei-o em "O espião que sabia demais", encarnando George Smiley, personagem de John Le Carré, mestre narrador de incidentes da Guerra Fria.

Mas fui achá-lo melhor ainda em "JFK - A pergunta que não quer calar", filme quase documentário de Oliver Stone de 1991. Filmado quase 30 anos após o assassinato de John F. Kennedy, então presidente dos EUA, numa avenida de Houston, Texas, à frente de centenas de câmeras da até então incipiente TV, em 22 de novembro de 1963.

Nesse filme, Oldman empresta seu corpo como personagem a não menos que Lee Harvey Oswald, o "bode expiatório" que o sistema então utilizou para protagonizar aquela que provavelmente foi a maior das "fake news" de todos os tempos

O filme de Stone, com 3,5 horas de duração, exige paciência e atenção, porque disseca e destrói todos os argumentos que tentavam atribuir aos comunistas de cuba (Fidel Castro) ou à Máfia americana, a autoria do bárbaro assassinato, mostrando ao mundo a tremenda mentira que se quisera impingir à opinião pública, americana e mundial.

A maioria dos documentos importantes que poderiam revelar quem verdadeiramente urdiu a trama que resultou na morte prematura de Kennedy, ficou classificada como segredo de estado, a serem revelados somente em 2028, se a memória não me trai.

Pelo filme de Stone, grandes interesses corporativos, principalmente da indústria americana de armamentos, que alimentavam a então guerra do Vietnã, contrariada com a posição de Kennedy pelo fim urgente do conflito, estaria por trás do ocorrido.

A revista VEJA desta semana coloca como matéria de capa o risco das notícias falsas, as "fake news" como se diz hoje, especialmente num ano de eleições onde geralmente vale tudo. 

Em 1963 o termo não existia com a conotação de hoje. Mas o filme de Oliver Stone, aclamado e contestado por muitos, se propôs a mostrar como os americanos, em especial, e o resto do mundo em geral, foram miseravelmente enganados. Por isso, ainda hoje, 27 anos depois, continua presente nos acervos  de grandes filmes a preservar, para serem vistos e revistos. 

Voltando a Churchill, será uma grande injustiça se a academia de cinema não conceder o Oscar a Gary Oldman por seu inexcedível desempenho.