O CAPITÃO MENTE - RICARDO NOBLAT

12/03/2019

O capitão mente

Primeiro para se eleger. Agora para governar

Por Ricardo Noblat   BLOG EM VEJA.COM 

Que Jair Messias Bolsonaro sempre foi irresponsável já se sabia. Basta ter acompanhado seus 33 anos como deputado federal - ou seu comportamento no ano passado como candidato a presidente.

Uma vez eleito, o que agora se sabe é que ele passou à condição de leviano. Quando nada porque comanda diretamente ou por meio dos filhos uma rede de sites de aluguel destinada a disseminar mentiras.

A última delas (a última, não, a mais recente) foi o ataque à honra da repórter Constança Rezende, do jornal O Estado de São Paulo. E, por tabela, à imagem do centenário jornal.

A fraude avalizada por Bolsonaro ruiu por completo com o reconhecimento do site francês Mediapart de que eram falsas as informações postadas por um leitor em um dos seus blogs.

O blog é aberto aos leitores do site que podem escrever o que quiser sem que o Mediapart se responsabilize pelo conteúdo. Ali, um tal de Jawad Rhalib escreveu o que Bolsonaro passou adiante.

Rhalib escreveu que Constança teria declarado em conversa gravada por um estudante que sua intenção era a de arruinar a vida do senador eleito Flávio Bolsonaro e provocar o impeachment do pai dele.

O texto de Rhalib, que se apresentou como "documentarista", foi reproduzido pelo jornal sensacionalista de direita americano Washington Times, famoso por seu viés racista.

E finalmente aqui saiu em um blog de apoiadores de Bolsonaro que mais de uma vez já foi recomendado por ele e seus filhos. Foi o que bastou para que Bolsonaro o endossasse.

O texto no blog Terça Livre foi assinado pela jornalista Fernanda Salles Andrade. Que vem a ser... O quê mesmo? Assessora do deputado estadual mineiro Bruno Engler, do PSL de Bolsonaro.

Pego mentindo, Bolsonaro não passou recebido. Preferiu escrever no Twitter que o "ambiente acadêmico vem sendo massacrado pela ideologia de esquerda que divide para conquistar".

E advertiu a quem interessar possa, e com a maior cara de pau: "Neste contexto a formação dos cidadãos é esquecida e prioriza-se a conquista dos militantes políticos".

A formação "dos cidadãos" é posta em grave risco quando um candidato a presidente da República se vale de notícias falsas para se eleger - e uma vez eleito, para governar.