OS "NÃO BANDOLEIROS" DE BRASILIA - FAUKECEFRES SAVI

08/10/2017

OS "NÃO BANDOLEIROS" DE BRASÍLIA.

A piada da semana provém da ilha da fantasia chamada Brasília, e para lástima de minha profissão, da defesa que os advogados de Michel Temer apresentaram na segunda denúncia da PGR.

Segundo os colegas causídicos, " a Câmara não é composta por bandoleiros, mas por homens e mulheres que se dedicam ao atendimento das necessidades da população brasileira". O trecho foi transcrito tal qual está.

No primeiro momento em que li a frase, não pude conter um acesso de riso, que nos tempos de antanho os machadistas diriam que riam "às bandeiras despregadas", ao ponto de as mulheres não conterem o xixi, tamanha a graça provocada.

Infelizmente, como tudo o mais neste país, "seria cômico se não fosse trágico". Creio que alguns dos leitores mais "entrados em anos", se lembrarão da expressão "bandoleiro", que no século passado designava o bando de Lampião, cangaceiro, bandoleiro, chefiando uma quadrilha que espalhou o terror pelo nordeste, assaltando, roubando, pilhando, por onde passou.

Ora pois, "digamos assim" como diria Temer movendo seus dedinhos ágeis, pois os causídicos, - involuntariamente sabe?, - , terminaram por chapar a classificação correta para a maior parte dos deputados e senadores: bandoleiros.

O que seriam os parlamentares, legislando muito em causa própria, trocando votos por nomeações e emendas, aprovando Refis que salvam as empresas das quais são donos ou interessados, tudo na base do "é dando que se recebe", senão bandoleiros, de colarinho branco, terno e gravata, pouco se dedicando ao atendimento das necessidades da população brasileira, como tentou impingir a defesa apresentada.?

Poderão não gostar da expressão, mas foram os colegas advogados pagos para sua defesa que a cunharam no sentido inverso, ao escrever que não são exatamente o que são, bandoleiros, fatiando os resultados entre si, como os cangaceiros de Virgulino Ferreira da Silva faziam enquanto este viveu, até 1938.

Essa gente, usando o dinheiro público legal (que foi nosso) ou do Caixa 2, financiou as campanhas para sua eleição e reeleições, no grande emprego que é o de parlamentar. Tornaram-se hereditários, fundando linhagens, tamanho o número de filhos e netos que sucedem seus ascendentes, citando-se apenas como exemplo, mas não único, o do neto de Tancredo Neves, Aécio.

Isso é possível num país em que a maioria da população, respondendo à pesquisa de um órgão isento como o Datafolha, conseguiu cravar resultado absolutamente antagônico: 53% querem ver o candidato Lula condenado e preso, enquanto 35% assinalam sua preferência para 2018. Ou seja, exercendo o dom da ambigüidade, estar preso em cumprimento de pena e nos governando, ao mesmo tempo. Pode?

Pode. O resultado está lá e todos os que se interessam viram. Ou esse povo não sabe o que pensa nem o que fala, ou a pesquisa está furada.

Os "homens de bem, não bandoleiros", que elegemos para nos representar, trabalhando "arduamente" de terças à tarde até quinta pela manhã", e reclamando que o salário, ó, está deste tamanhinho, seguem impávidos tudo para nosso bem e de nossas famílias.

Sabemos que submeter a denúncia aos parlamentares é pura comédia, um jogo do qual já se sabe o resultado, servindo apenas para rechear o noticiário da mídia. Tão sem graça e previsível como uma CPI.

Então o jeito mesmo é rir, ainda que amargamente, enquanto meditamos se deveremos ou não nos exilar no Paraguai.