REFORMA BOA É PARA OS OUTROS - BERNARDO MELLO FRANCO

07/11/2017


07/11/2017
FONTE - FOLHA DE SP

BRASÍLIA - A poucos dias do fim da CLT, surgiu um defensor sincero da reforma trabalhista. É o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Filho. Em entrevista à Folha, ele disse o que governo e empresários se recusam a admitir: a mudança na lei vai resultar na redução de direitos sociais.

"Nunca vou conseguir combater desemprego só aumentando direito", disse o ministro. "Vou ter que admitir que, para garantia de emprego, tenho que reduzir um pouquinho, flexibilizar um pouquinho os direitos sociais", acrescentou.

Nos últimos meses, o cidadão que tentou se informar sobre a reforma ouviu de Michel Temer que o governo não seria "idiota" de restringir direitos. "Não haverá nenhum direito a menos para o trabalhador", prometeu. A declaração de Gandra sugere que o idiota da história foi quem acreditou na palavra do presidente.

Na entrevista à repórter Laís Alegretti, o chefe do TST também defendeu as novas regras para indenizações por danos morais. Agora os valores serão calculados de acordo com o salário do ofendido. "Não é possível dar a uma pessoa que recebia um mínimo o mesmo tratamento [...] que dou para quem recebe salário de R$ 50 mil. É como se o fulano tivesse ganhado na loteria", comparou.

As declarações chocaram o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury. "Confesso que estou assustado", ele me disse, após ler a entrevista. "O ministro expôs uma mentalidade de que o pobre deve continuar pobre. Ele defende um sistema de castas, onde o sofrimento da pessoa é medido pelo que ela ganha."

No sistema brasileiro, Gandra pertence a uma casta superior: a elite do funcionalismo. Além do salário de R$ 30 mil, ele recebe R$ 6,5 mil em auxílios e gratificações. Em dezembro passado, seu contracheque chegou a R$ 85,7 mil, incluindo 13º, férias e um extra de R$ 3.300 por "instrutoria interna". Definitivamente, o ministro não precisa se preocupar com as consequências da reforma que apoia. 

NOSSO COMENTÁRIO:
Para quem, como este blogueiro, foi veterano nas lides trabalhistas, o comportamento do atual presidente do TST, ministro Gandra Martins, não surpreende. Apenas confirma que o mesmo, desde que o conheço e que muito li de suas obras, sempre foi defensor dos interesses patronais.

O que realmente surpreendeu no pior sentido, como bem destacou o procurador geral do trabalho, foi que Gandra continua achando que pobre é pobre e assim deve continuar, num sistema de castas que sabemos sempre ter existido e agora confirmado. 


O atual ministro, como seus pares, confirma o que declarou. Como alguém que ganha o que ganha, pode entender o que pensa e sente quem vive de salário minimo?

Um leitor de Bernardo Mello Franco na Folha de hoje, lembrou que nos tempos em que as vacas estavam gordas, mesmo com a vetusta CLT e tudo, o doce empresariado sempre reclamou mas suportava, por que os lucros compensavam.

De desemprego nem se falava, por que a situação era de PLENO EMPREGO. Todo mundo numa boa.

Uma vez que a CLT, consolidando as leis do trabalho então vigentes data de 1943, velha de 74 anos, manteve-se durante esse tempo.

Só agora, quando a crise mostra todas as deficiências de nossa produtividade, pela falta de investimentos, falta de atualização tecnológica e outras faltas, é que sai-se pela tangente, pondo a culpa no lado mais fraco, o dos empregados.

Desemprego é sintoma de um mal, não sua causa.
O que Gandra e seus acólitos propõem é baixar a febre sem enfrentar a infecção que a provoca.