SE JACOB BARATA E ELLIS FALAREM... - ELIO GASPARI

31/12/2017

Se Jacob Barata e Lélis falarem...

Os dois conhecem como poucos a máquina de roubalheiras do setor

fonte - O GLOBO

No mundo das coisas boas que podem acontecer em 2018 está a possibilidade de Jacob Barata Filho, o "Rei dos Ônibus", vir a colaborar com a Viúva. Quem conhece seus passos garante que isso só acontecerá se vier a formar uma dupla com o doutor Lélis Teixeira, ex-presidente do Sindicato das Empresas de ônibus do Rio e da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros, a Fetranspor. Isso porque Barata é um engenheiro, mas herdou o império do pai. Lélis é um operador desenvolto, algo presunçoso, porém ousado.

Barata jamais incriminará Lélis, mas, juntos, poderão prestar um grande serviço aos passageiros dos ônibus que lhes deram fama e fortuna. Os dois conhecem como poucos a máquina de roubalheiras do setor. Ela passa pelos três Poderes, pela União, pelos estados e pelos municípios. Barata e Lélis já foram presos. Gilmar Mendes, padrinho de casamento da filha do "Rei", tirou-os da cadeia.

O setor de transporte público era corrupto antes da chegada dos Barata e dos Lélis. O aspecto sistêmico dessa corrupção é mais velho, mais arraigado e mais difícil de ser combatido que as roubalheiras da Petrobras. Como há bocas a alimentar no Executivo e no Legislativo, nenhum empresário consegue prosperar sem aceitar mordidas.

Vale lembrar que as primeiras denúncias de corrupção do PT vieram das relações incestuosas com concessionários de transportes. O Rio só começou a implantar o seu péssimo sistema de Bilhete Único em 2010, seis anos depois de São Paulo. A essa época os sábios do mercado perguntavam quem pagaria pela política pública. Segundo o Ministério Público, o Magnífico Cabral recebeu R$ 144 milhões das empresas de ônibus. Ele embolsava, inclusive, para não implantar o Bilhete Único. (Um certo "Pé Grande" recebeu R$ 4,8 milhões da Fetranspor. O governador Luiz Fernando Pezão nega que seja ele.)

As empresas fazem o que querem e pagam o que lhes pedem, ajudadas pelo fato de arrecadarem milhões de reais em dinheiro vivo. No Rio, segundo um operador, a Fetranspor aspergiu R$ 260 milhões em seis anos.

Barata e Lélis sabem que arriscam tomar condenações pesadas. É certo que eles têm motivos para supor que se safam, socorridos por recursos, indultos, reviravoltas judiciárias e macumbas gerais. Mesmo assim, se der zebra, vão para Benfica, para onde eles acreditavam que só ia quem andava de ônibus.

Os judeus do Recife na criação dos EUA

O historiador Simon Schama acaba de publicar nos Estados Unidos o segundo volume da sua "História dos Judeus", cobrindo o período de 1492 a 1900.

É uma época que começa com a desgraça do antissemitismo ibérico impulsionando o esplendor do capitalismo holandês. Numa ironia da História de Pindorama, os primeiros judeus a se estabelecer na América do Norte saíram de Recife em 1654, expulsos pela reconquista portuguesa. É bastante conhecida a chegada de duas dezenas de judeus à ilha de Manhattan, onde foram hostilizados e passaram fome. Numa curta referência, Schama menciona outro desembarque de dois navios, ocorrido em Providence, perto da atual cidade de Newport. Lá os judeus sefarditas formaram uma pequena comunidade, estimulada pela tolerância do governador da colônia. Pouco se sabe sobre ela e há até dúvidas sobre o porto de partida dos barcos. Poderiam ter vindo de Barbados.

Outras famílias de judeus expulsos do Recife estabeleceram-se na ilha caribenha de Nevis e lá educaram crianças. Uma delas era Alexander Hamilton, o primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos e pai de sua organização financeira.

Bolivarianismo

Há algo de teatro no virtual rompimento de relações diplomáticas do governo da Venezuela com o Brasil. Com a radicalização, Nicolás Maduro ganhou mais um pretexto para não pagar a empresários brasileiros o que lhes deve.

São quase US$ 300 milhões em créditos de exportações e pelo menos US$ 1 bilhão devido a empreiteiras de Pindorama que se meteram na aventura da diplomacia petista.

A Odebrecht chegou a ter 13 mil trabalhadores em seus canteiros venezuelanos.

Bendine e a SBM

A multinacional SBM fechou um acordo com a Viúva aceitando pagar US$ 340 milhões para poder voltar a fazer negócios com a Petrobras.

Em 2015, logo depois de assumir a presidência da estatal, o doutor Aldemir Bendine admitiu a possibilidade de trabalhar com a SBM, "uma importante fornecedora", apesar de ela estar mais suja que pau de galinheiro e banida.

Bendine está na cana de Curitiba. Alguém poderia perguntar de onde ele tirou a ideia de contratar a SBM e como calculou a importância.

Gilmar responde

O ministro Gilmar Mendes rebate a informação de que solta presos do andar de cima, sem dar atenção aos do andar de baixo.

Ele informa que julga os casos que lhe chegam à mesa e lista 15 habeas corpus que concedeu ao andar de baixo. Um envolvia a tentativa de furto de uma barra de chocolate. Oito habeas corpus foram para gestantes e lactantes presas.

No seu conhecido estilo, Gilmar atira: "Vocês, jornalistas, não se interessam em divulgar HC concedido a pobre; vocês só gostam de ricos."

Eremildo, o Idiota

Eremildo é um idiota à espera de um indulto. Ele aprecia a dicção do ministro Luís Roberto Barroso e encantou-se quando ouviu-o dizer que "vivemos uma tragédia brasileira (...), um país que se perdeu pelo caminho, naturalizou as coisas erradas."

Por cretino, Eremildo não entendeu a decisão de Barroso que concedeu liberdade condicional a Henrique Pizzolato, ex-diretor do Banco do Brasil, condenado a 12 anos de prisão em 2012.

Seguindo as normas, Barroso registrou que ele é réu primário, tem bons antecedentes e cumpriu um terço da pena com bom comportamento na penitenciária.

Só um idiota como Eremildo seria capaz de lembrar alguns antecedentes do doutor, que se torna caso clássico de naturalização da coisa errada. Condenado, Pizzolato fugiu do país usando identidade falsa e só foi capturado cinco meses depois, graças a uma operação da polícia italiana. Com dupla nacionalidade, tentou evitar que o devolvessem ao Brasil.

É o paradoxo de Pizzolato: preso, é um santo. Solto é que são elas.

Malvadeza

De um juiz malvado:

"Temer mandou sua equipe redigir uma Medida Provisória criando o 'indulto preventivo'. Assim, os seus 'homens bons' serão perdoados antes mesmo de serem condenados."

Cancellier

Na terça-feira completam-se três meses da manhã em que o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier, matou-se. Ele havia sido preso e, solto, estava proibido de entrar no campus.

O ano termina hoje, mas ainda não se sabe o que a Polícia Federal apurou com a barulhenta "Operação Ouvidos Moucos". Até agora, nadinha.