SIGA O DINHEIRO - BRUNO BOGHOSSIAN

21/02/2018

Intervenção será desperdício se Temer não atacar corrupção policial

Análise poderia revelar o enriquecimento de agentes que se associaram a criminosos

  • FONTE - FOLHA DE SP 

  • No fim de outubro, o ministro Torquato Jardim (Justiça) abriu uma crise no governo ao dizer que Luiz Fernando Pezão havia perdido o controle sobre a segurança pública no Rio. Afirmou ainda que os comandantes da polícia local eram "sócios do crime organizado".

    O governador reagiu, indignado, e ameaçou interpelar judicialmente o ministro. O presidente Michel Temer interveio, repreendeu Jardim e pediu que ele evitasse novas críticas.

    Pouco mais de três meses depois, Pezão e Temer reconheceram que a primeira frase do ministro estava certa. Ainda falta atacar a segunda. A intervenção federal no Rio comprovou a incompetência do governador para cuidar da segurança, mas a operação será um desperdício se não incluir também uma devassa sobre a corrupção policial no Estado.

    Temer e seus subordinados evitaram, até agora, declarações públicas contundentes sobre a necessidade de investigação dos elos entre comandantes de batalhões, milícias e traficantes. Argumentam que o tema precisa ser mantido em sigilo para evitar prejuízo às apurações.

    Nos bastidores, integrantes do governo discutem acionar o Coaf, a Receita e a Polícia Federal para examinar a movimentação financeira de integrantes das forças de segurança do Rio, o que poderia revelar o enriquecimento de agentes públicos que tenham se associado a criminosos.

    Traçado como uma estratégia para recuperar a imagem do presidente, a intervenção no Rio pode se resumir a puro marketing caso o governo fique satisfeito com a prisão de alguns bandidos e com a presença de tanques nas ruas. O verdadeiro legado da operação, no entanto, deveria ser uma faxina que Pezão, Sérgio Cabral e outros governadores do Rio não tiveram coragem de fazer.

    Em tempo: Torquato Jardim receberá como prêmio um rebaixamento de seu ministério, que deve perder as funções relacionadas à segurança. Já Pezão foi aplaudido por Temer em um evento no Rio nesta terça.


  • MEU COMENTÁRIO:

  • Aplica-se o bordão jornalístico americano "follow the money", isto é, seguindo o dinheiro vai se chegar à sua fonte. 

  • Não é de hoje que se sabe que parte ruim da polícia e delinquência formam o conluio nefasto que gera a impunidade. 

  • No caso do Rio, mais específico ainda, visto os grandes interesses financeiros em jogo, pois o tráfico de drogas é altamente lucrativo e seu volume permite farta distribuição das benesses. 

  • Quando um Ministro da Justiça tem o dasassombro de denunciar abertamente a sociedade entre traficantes e polícia, mas é contido pelo presidente faz de conta que ainda nos desgoverna, tudo fica pior, por que sabendo-se  dos fatos e nada se fez para corrigir. 

  • O ministro do STF Collor de Mello já externou sua dúvida quanto ao sucesso da intervenção, exatamente pela dificuldade ou impossibilidade de se extinguir o conluio, fonte maior de todos os problemas que afligem a hoje "falsidade maravilhosa" em que se transformou o Rio.